A História da Massagem

A História da Massagem

No último artigo intitulado “Que tal uma Massagem?!” nós falamos um pouco sobre os benefícios da massoterapia.

Mas o que você talvez ainda não saiba é que, além de todas aquelas melhorias para a saúde já descritas, a massagem ainda possui um forte componente histórico e cultural que está ligado ao próprio desenvolvimento da nossa sociedade.

É por isso que após os comentários dos nossos leitores pedindo para saber mais sobre o tema resolvemos dar continuidade nessa pequena série, e desta vez iremos abordar a história e a evolução massoterapia, além de explicar para nossos leitores como essa evolução se mesclou com a própria história da sociedade moderna.

Para começo de conversa é preciso saber que não é possível identificar com exatidão quando surgiu a pratica da massagem entre os seres humanos, já que o ato afetivo de tocar um ao outro é tão antigo quanto a própria humanidade.

Porém é possível estimar que a massagem terapêutica surgiu como uma técnica organizada a pelo menos 5.000 anos atrás. Perceba que por técnica organizada entende-se que a essa altura o ser humano já organizava métodos e procedimentos bem definidos para a pratica, tendo como objetivo a melhora do estado de saúde de quem a recebia.

Existem gravuras e murais em antigos túmulos além de várias cerâmicas que registram através de desenhos o uso das técnicas de massagem em países como Japão, China, Egito e Pérsia. Todos esses vestígios datam pelo menos do ano de 3.000 ac, corroborando com a tese dos pesquisadores de que a massagem se desenvolveu junto com a sociedade e de que conforme a organização social se tornava mais complexa as técnicas medicinais (incluindo massoterapia) ganhavam importância.

Já os primeiros escritos conhecidos sobre a massoterapia datam do segundo século da era moderna e foram feitos por Galeno de Pérgamo, um médico e filosofo romano que viveu do ano de 129 até o ano de 217 na região onde hoje fica Sicília na Itália.

Galeno foi o primeiro a apresentar classificações bem estruturadas dos tipos de massagem de sua época, descrevendo com riqueza de detalhes as sequências empregadas, além de fazer uma reflexão sobre os motivos pelos quais os gregos e os romanos empregavam suas técnicas e dos respectivos benefícios esperados.

A própria palavra “Massoterapia” tem origem no grego, onde “Masso” quer dizer literalmente “Amassar” enquanto o radical “Therap” se referia a todo tipo de técnica de tratamento para a saúde.

Através dos próprios estudos de Galeno percebe-se que os gregos valorizavam muito a saúde, a forma física e a capacidade atlética; de forma que a massoterapia se tornou uma pratica corriqueira antes e depois das competições esportivas.

Nessa época uma das técnicas mais utilizadas era a “Apoterapia”, a qual acreditavam ter o poder de preparar a musculatura antes de um evento esportivo e também de “limpar os humores impuros” após a atividade.

Entretanto, apesar do seu auge no ocidente durante os primeiros séculos da era moderna, a massoterapia como prática medicinal quase desapareceu durante a Idade Média. Isso porque nessa época a igreja entendia que a massagem tinha uma conotação sexual.
Isso fez com que durante esse período a prática da massoterapia fosse duramente reprendida tanto na Europa quanto nos países da América e da África colonizados por europeus.

Porém, em paralelo a isso, no oriente os indianos, japoneses e chineses fizeram com que as técnicas de massagem continuassem a florescer, desenvolvendo para isso instrumentos, óleos e essências para aprimorar os efeitos da prática.

O ressurgimento da massoterapia no mundo ocidental se deu entre os séculos 18 e 19, sendo incentivada pelo cirurgião francês Ambroise Paré e ao mesmo tempo sendo levada para os Estados Unidos pelos imigrantes orientais que ali desembarcavam.

Muito embora os avanços arrocinados pelas então recentes descobertas médicas ofuscassem o potencial de técnicas alternativas de tratamento de saúde, ainda sim a massoterapia ganhou enorme terreno nos campos da estética e do relaxamento.

Ainda durante o século 19 começaram a surgir na América do Norte os primeiros centros especializados, os quais eram muito frequentados pelos primeiros magnatas da alta sociedade formada pelo capitalismo industrial.

Dessa forma, se propagando pelos círculos mais abastados da Europa e dos EUA, a massoterapia ganhou um status de distinção, fazendo com que mais e mais jovens se especializassem no tema, escrevessem livros e desenvolvessem novas técnicas.

Já no século 20 os avanços da anatomia e da fisiologia se juntaram à recente cultura da massagem no ocidente, possibilitando que os médicos da época compreendessem melhor os efeitos das técnicas tradicionais sobre os quadros clínicos de seus pacientes.

Os estudos da época sobre a circulação sanguínea e sobre os vasos linfáticos contribuíram para a aceitação da massoterapia como um procedimento médico efetivo.

Enquanto isso, na Inglaterra, um grupo de quatro mulheresfundava a Society of Trained Masseuses, primeira intuição que agregava profissionais do setor e pacientes em busca de tratamento.

Durante a Primeira Guerra Mundial o número de pacientes buscando atendimento cresceu exponencialmente, e junto com ele também cresceu o número de profissionais especializados no tema.
Desta forma no ano de 1920 a Society of Trained Masseuses (que já abrigava mais de 5 mil membros) se uniu com o Instituto de Exercícios Terapêuticos, instituição fundada em Manchester quase 50 anos antes e que já era reconhecida e respeitada pelos médicos e fisiologistas europeus.

Durante o período da Segunda Guerra Mundial mias livros foram escritos e mais associações foram fundadas ao redor do mundo. Inclusive foi nesse período que – no ano de 1947 – as primeiras aulas sobre massagens medicinais foram lecionadas no Brasil através da USP (Universidade de São Paulo) pelos professores do departamento de medicina e fisiologia.

Desde então tanto no Brasil quanto no mundo houve uma multiplicação das técnicas empregadas na massoterapia, bem como suas funcionalidades e finalidades.

A partir dos anos 80 multiplicaram-se por exemplo os cursos de shiatsu no Brasil, além de também ter havido um forte crescimento das técnicas de massagem facial que buscavam a diminuição das rugas e o rejuvenescimento facial.

Nos dias atuais a Associação Mundial dos Massoterapeutas já cataloga mais de 500 procedimentos diferentes, os quais são oficialmente reconhecidos como técnicas complementares à medicina, cujos efeitos vão desde trazer para as pessoas a simples sensação de relaxamento e de bem-estar até mesmo auxiliar na cura de determinadas doenças.

Então, seja para relaxar ou mesmo para se tratar de uma doença, é importante reconhecer que as massagens ao longo do tempo se tornaram uma prática indispensável para a nossa sociedade.

E você? Já fez uma massagem hoje?!

 

Submit a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *