Você tem medo de Anestesia

Você tem medo de Anestesia

A Anestesia é um procedimento pré-cirurgico que tem como objetivo bloquear temporariamente a capacidade do cérebro de sentir dor. É graças à anestesia que os médicos são capazes de realizaras cirurgias complexas e invasivas sem causar o sofrimento do paciente durante o ato.

O nome Anestesia vem de uma palavra grega e significa ausência de sensações e o profissional que atua nessa área é chamado de Anestesista – um médico que se especializou nas técnicas, procedimentos e medicamentos para a aplicação de anestesias.

Embora atualmente a anestesia seja largamente utilizada para realizar intervenções médicas, o procedimento ainda assusta bastante tanto em razão dos riscos reais aos quais se dispõe a pessoa anestesiada, quanto à mitos ainda presentes na nossa sociedade que ainda prevalecem quando o tema é tratado.

É por isso que nós do Blog Tá Agendado estamos produzindo uma série com duas matérias exclusivas que visam esclarecer para nossos leitores sobre o porquê as anestesias se tornaram tão importantes para a medicina moderna, além é claro de falar um pouco sobre sua história, sobre os tipos de anestesia que existem e também sobre como se preparar caso você esteja prestes a passar por alguma cirurgia que exija tal procedimento.

E então?! Pronto para embarcar nessa jornada?

 

Um pouco de História

Inicialmente a anestesia era um procedimento praticamente inexistente durante as cirurgias. Nos primeiros registros de extrações de dentes e de suturas de corte que se tem notícia por exemplo o que se fazia era embebedar o paciente, até que o mesmo perdesse totalmente a consciência e o procedimento pudesse ser feito.

Na Idade Média iniciou-se um método originário da escola de Alexandria, cuja fórmula foi encontrada no mosteiro de Monte Casino. Tratava-se da esponja soporífera, que se preparava com ingredientes como ópio, suco de amoras amargas, eufórbia, meimendro, mandrágora, hera, sementes de bardana, sementes de alface e sementes de cicuta.

Tais ingredientes misturados, fervidos e aplicados sobre um tecido se transformavam em um poderoso entorpecente, que era colocado sob as narinas do paciente e o fazia dormir.

Ao final da cirurgia aplicava-se então outra esponja, essa embebida em vinagre para acordar o paciente.

Essa técnica foi aplicada até meados do século XIX, e apesar de muito útil ainda sim fazia com que as pessoas sentissem todas as dores da operação e, por isso, o cirurgião era obrigado a trabalhar rápido, para diminuir o sofrimento.

Historicamente, a data de 16 de outubro de 1846 é considerada como a data em que se realizou a primeira intervenção cirúrgica com anestesia geral.

 

Naquele dia no Massachusetts General Hospital, em Boston, o cirurgião John Collins Warren realizou a extirpação de um tumor no pescoço de um jovem enquanto ele se encontrava anestesiado com éter.

Estava ali marcado o início da anestesia como é modernamente conhecida. Com isso o sofrimento durante a cirurgia desapareceu, e o incômodo no pós-operatório foi reduzido drasticamente.

Foram inventados novos métodos e medicações para cada tipo de procedimento. Foram realizados testes. E os benefícios disso vieram não só para o paciente, mas a sensação de bem-estar e segurança também chegou ao cirurgião, que consegue fazer seu trabalho com mais calma, segurança e eficiência.

 

Nosso Corpo e a Dor

Para entendermos bem como funcionam as anestesias, vale a pena uma rápida explicação sobre o que é a dor. A dor nada mais é do que um dos mecanismos de defesa mais importantes do nosso organismo, sendo ativada toda vez que um tecido nosso esteja sofrendo algum tipo de estresse ou injúria.

Inicialmente, pode parecer estranho pensar que um mecanismo que serve para nos proteger provoque uma sensação tão ruim quanto a dor. Mas, pense bem, se você encostar em uma superfície muito quente, o seu cérebro precisa lhe avisar para retirar a mão o mais depressa possível, antes que você sofra queimaduras graves. O melhor modo para que você responda imediatamente, sem pensar e sem questionar, é fazer-lhe sentir que aquela ação de encostar no calor seja algo extremamente desconfortável. Com a dor, você não só vai retirar a mão o mais rápido possível, como não irá querer pô-la de volta de modo algum.

Para podermos sentir dor, é preciso haver receptores para identificar lesões dos tecidos e nervos sensitivos especializados em transportar a sensação de dor. Nossa pele, por exemplo, é amplamente inervada por nervos sensitivos capazes de reconhecer eventos traumáticos mínimos. Quando sofremos um corte, uma queimadura, uma picada ou qualquer outra injúria do tecido da pele, estes nervos são ativados, enviando rapidamente sinais elétricos em direção à medula espinhal, que por sua vez, transporta-os para o cérebro, onde a sensação de dor é reconhecida.

Portanto, se quisermos bloquear a sensação de dor, podemos agir em três pontos:

  1. No local exato onde a injúria está ocorrendo, através do bloqueio dos receptores da dor presentes na pele.
  2. Na medula espinhal, bloqueando um sinal doloroso vindo de um nervo periférico, impedindo que o mesmo continue seu trajeto e chegue ao cérebro.
  3. No cérebro, impedindo que o mesmo reconheça os sinais dolorosos que chegam a si.

Esses três modos de agir sobre a dor são os mecanismos básicos da anestesia local, anestesia regional e anestesia geral, respectivamente.

 

A Anestesia e seus Objetivos

O objetivo principal de qualquer uma das 3 modalidades de anestesia é bloquear a sensação de dor.

Nos procedimentos simples, onde apenas uma anestesia local é necessária, a única função da anestesia é mesmo cortar a dor. Todavia, em casos de cirurgia, principalmente as de grande porte, não basta apenas retirar a dor. Nestes, o procedimento anestésico também tem outras funções, como bloquear a musculatura do paciente, impedindo que o mesmo se mexa durante a cirurgia, e provocar amnésia, fazendo com que o paciente se esqueça de boa parte dos acontecimentos durante a cirurgia, mesmo que ele permaneça acordado durante o ato cirúrgico.

 

A Consulta Pré-Cirurgica com o Anestesista

Apesar de tanta informação ainda hoje muitas pessoas ainda ficam receosas em relação à anestesia. Por isso há uma resolução do Conselho Federal de Medicina que garante que o paciente tenha o direito a uma consulta com o anestesista antes da cirurgia – segundo os médicos, não é indicado que esse contato ocorra apenas horas antes da operação.

Nessa consulta, o paciente deve ser sincero e informar ao anestesista sobre problemas de saúde, uso de álcool ou drogas e possíveis reações a anestesias anteriores. Depois dessa consulta, será orientada o melhor tipo de anestesia, que depende muito da cirurgia.

Então vale a pena ter uma boa conversa com seu cirurgião e com se anestesista sobre o tema, para que todas as suas dúvidas possam ser tiradas e para que você faça uma operação mais tranquila e segura.

E para aumentar ainda mais seu conhecimento sobre o tema nó preparamos também uma segunda matéria sobre anestesias, a qual vai te ensinar sobre Os Tipos de Anestesia e suas Funções. Leia, comente, informe-se. Afinal de contas saúde nunca é demais.

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