Quais jogos os seus Filhos Jogam?

Quais jogos os seus Filhos Jogam?

Antigamente para conter a febre dos recém lançados árcades os pais propagavam o mito de que os videogames estragavam os aparelhos de TV ou mesmo o mito de que eles faziam mal para a visão.

Dessa forma na década de 80 era muito comum ouvir os pais impondo restrições de horários para seus filhos jogarem, a fim de manter a saúde de seus pequeninos ou mesmo a conservação de seus aparelhos de televisão.

Esses mitos por muito tempo foram a desculpa perfeita para que os filhos não ficassem horas e horas jogando seus Ataris e Odysseys. Mas atualmente não há lenda urbana que segure as crianças, e se os seus filhos são como 99% dos meninos ou 94% das meninas que jogam videogames, você deveria saber que a cada dia que passa um percentual mais significativo de crianças preferem jogos cada vez mais violentos e que podem de fato deformar a mente de seu filho.

Ao menos é isso que sugere Cheryl Olson, especialista em Harvard de saúde pública, que pesquisou as motivações das crianças para jogar videogames, e que descobriu seus motivos: para se divertir, competir uns com os outros e ser desafiado.

Olson então demostrou os benefícios psicológicos que o jogo pode ter, descrevendo como os videogames facilitam a auto expressão, dramatização, interações sociais positivas e liderança.
E isso tudo deveria soar como uma maravilha, não é mesmo?

Mas é aí que começa a parte sombria da história, pois segundo as conclusões de Olson, 28% dos meninos e 5% das meninas gostam de “pistolas e outras armas”. Cerca de 25% dos meninos e 11% das meninas também concordam que os videogames ajudam a “conseguir botar a raiva para fora”. “O jogo Grand Theft Auto, o mais popular, aparentemente, não mostra nenhuma violência contra crianças ou animais, mas dá enorme liberdade para a desordem”, escreve Olson.

A pesquisadora, entretanto, vê função supostamente educativa do jogo violento, “É chocante, mas o GTA afia as habilidades de resolução de problemas. Um menino aprendeu uma maneira rápida de encontrar passageiros para seu táxi: ele atropelava os pedestres e esperava que se levantassem e subissem em seu carro”.

Também é preocupante a maneira como os homens administram as “relações” com as mulheres: o jogo mostra, por exemplo, como se deve negociar com uma prostituta. Mesmo uma breve exposição a essas imagens aumentaria as tentativas de assédio sexual pelos homens, segundo um estudo de 2008 conduzido pela psicóloga Karen Dill, da Fielding Graduate University.

Embora os estudos observem que os adolescentes podem se beneficiar de jogos de terror e sobrevivência, Olson ressalva ainda que que a exposição a jogos violentos pode dessensibilizar as pessoas e banalizar a violência.

Em 2006, Bruce Bartholow, psicólogo da University of Missouri, e colegas relataram que jogadores desse tipo de jogos, expostos a imagens violentas, apresentam menor ativação de uma onda específica do cérebro que os jogadores de jogos “comuns”, indicando que eles se sentem menos aversão à violência.

Imagens violentas podem nos afetar de inúmeras maneiras sutis, aumentando a hostilidade e a indiferença com aqueles que nos rodeiam. Por isso, a multibilionária indústria de jogos deveria responder à pressão social e criar jogos que não sejam sexistas, racistas ou violentos, e proporcionem benefícios para o desenvolvimento das crianças.

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