Medicamentos para aumentar a memória e seus riscos

Medicamentos para aumentar a memória e seus riscos

A cada dia que passa mais e mais indivíduos estão tomando medicamentos para melhorar a concentração e trabalhar por mais horas. Foi isso que constatou a mais recente pesquisa da sociedade brasileira de neurologia.

Há séculos o ser humano vem testando várias receitas e combinações que pretendem aumentar o desempenho cognitivo do ser humano. Entre elas está por exemplo a cafeína um estimulante que melhora a concentração, e que provavelmente é a droga mais antiga consumida pela humanidade. Elencado nesse hall está também o Gingko Biloba, erva de origem Chinesa que supostamente melhora a circulação de sangue no cérebro e a transmissão de impulsos entre os neurônios.

E para falar das mais conhecidas ainda temos a nicotina, a cocaína (já consumida na forma de folhas de coca mascada nas Américas desde o período anterior à colonização), além é claro de diversas anfetaminas.

Por outro lado, também vem ganhando adeptos no mundo estimulantes mais modernos, especificamente desenvolvidos pare este fim. É o caso por exemplo do modafinil, desenvolvido para tratar narcolepsia (uma sensação de sonolência exagerada) e que trabalha restaurando o desempenho cognitivo em pessoas com sinais de fadiga. No Brasil, o remédio que tem por base o modafinil se chama Stavigile.

Como a droga é nova aqui, muitos médicos ainda não a conhecem e por isso não a receitam. A Anvisa já autorizou seu uso para tratamento de narcolepsia, mas em muitos países ela é usada por pessoas que têm trabalhos noturnos ou mesmo por executivos que precisam evitar os efeitos do fuso horário em viagens de negócios.

Outra droga capaz de aumentar o funcionamento do cérebro é o donepezil, vendido no Brasil com a marca comercial Aricept. Ele foi um dos remédios aprovados pela FDA (Food and Drug Administration, o órgão regulador de medicamentos nos Estados Unidos) para reduzir a perda de memória característica do mal de Alzheimer.

Um estudo publicado em 2002 na revista Neurology concluiu que pilotos que tomaram donepezil melhoraram seu desempenho. Eles fizeram manobras complicadas com mais precisão e reagiram a situações de emergência melhor que os demais pilotos da experiência, a quem foi dada uma dose de placebo (comprimidos sem droga nenhuma).

Mas esses dois medicamentos são apenas uma pequena amostra dos remédios que temos disponíveis hoje, pois segundo uma recente pesquisa da Universidade de Cambridge cientistas de diversos laboratórios estão trabalhando em pelo menos 750 drogas para distúrbios neurológicos que poderiam ser futuramente usadas para aumentar a performance do cérebro.

A maioria dessas drogas deverá ser reprovada pelos órgãos reguladores de saúde, mas é provável que muitas estejam em farmácias do mundo inteiro nos próximos anos. Cada uma dessas drogas mexe com algum dos processos químicos que regulam a atenção, a percepção, o aprendizado, a memória recente, a memória de fundo, a capacidade de tomar decisões, a linguagem. Espera -se que, com elas, pacientes com deficiências como Alzheimer, demência ou deficit de atenção consigam levar uma vida mais próxima do normal. Mas remédios desse tipo costumam atrair um mercado bem além do seu público-alvo original.

É por isso que nesse momento o que mais preocupa os psiquiatras do mundo inteiro é que o uso de drogas psicoativas come essas se torne um evento crescente em um mundo em que as pessoas vivem cada vez mais ansiosas e estressadas por causa do trabalho.

Isso foi o que aconteceu, por exemplo, com o Viagra e seus congêneres. Originalmente destinados a homens com problemas de ereção, tornaram-se rapidamente campeões de venda porque milhões de pessoas sem sintomas decidiram experimentá-Ios, seja para garantir o desempenho depois de uma balada, seja para incrementar a rotina com uma parceira.

Esse mesmo efeito alarmante mesmo parece estar acontecendo também com a Ritalina, já que suas vendas no Brasil se multiplicaram em 20 vezes nos últimos 10 anos. Para se ter uma ideia hoje existem pelo menos 15 grupos de discussão no Facebook apenas dedicados ao tema, e em uma pesquisa recente feita pela associação brasileira de psiquiatria estimou-se que o número de dependentes da droga já passa de 4 milhões.,

Além das questões médicas o uso de drogas para melhorar o desempenho suscita questões éticas uma vez que a prática seria equivalente ao doping dos atletas. E é por isso que tramita um projeto de lei no Congresso que pretende regular o tema.

Porem enquanto isso não acontece o mais indicado é que as pessoas se mantenham longe do consumo de remédios sem prescrição médica, pois não se sabe a real consequência desse tipo de abuso, podendo ele ir desde a dependência permanente até mesmo uma overdose.

Submit a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *