O perigo dos remédios para emagrecer

O perigo dos remédios para emagrecer

Muita gente faz loucuras para atingir o corpo perfeito. Mas não se engane os remédios para emagrecer podem até matar quem fizer mal-uso deles.

O mercado do emagrecimento é um dos mais rentáveis do mundo segundo pesquisas recentes. É por isso que empresas e fabricantes se digladiam em disputas cada vez mais acirradas em busca de novos produtos. E também é por isso que cada vez que um novo nicho de mercado é descoberto, todos vão atrás.

Esse é um segmento onde é possível encontrarmos de um tudo, desde pessoas que engordaram ou têm medo de uns quilinhos a mais, até pessoas que gastam fortunas a cada ano em busca do bem-estar físico e que acaba por beneficiar o emocional também.

Mas é preciso cuidado, pois se por um lado, há alimentos e medicamentos sérios e de eficácia comprovada, por outro há os de resultado duvidoso e que por fim acarreta problemas em vez das prometidas soluções.

As estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde) contabilizam mais de 500 milhões de adultos obesos em todo o mundo, com projeções de cerca de ‘ bilhão de pessoas sofrerá desse mal até 2020. Como toda doença crônica, a obesidade precisa ser encarada com responsabilidade e seriedade, pois não se trata de falta de força de vontade por parte do paciente, nem mesmo de desvio de conduta, ou de desleixo pessoal.

É uma doença crônica grave e que pode propiciar o aparecimento de muitas outras, como diabetes, hipertensão arterial, doenças cardíacas, ortopédicas e reumatologias, vários tipos de problemas psicológicos e até alguns tipos de câncer. Por isso precisamos mudar nossa forma de encarar a obesidade e deixar de relacioná-la a fatores estéticos exclusivamente, porque ela traz consigo muito mais problemas médicos e psiquiátricos do que podemos imaginar.

Mas diferentemente da maioria das doenças crônicas, para a obesidade há uma completa escassez de recursos farmacológicos e nos vemos obrigados a apelar para a força de vontade dos pacientes, como se eles fossem doentes “pela falta de força de vontade”.

Nos últimos 15 anos, apenas quatro medicamentos para a obesidade receberam registro das agências reguladoras em todo o mundo, a dexfenfluramina, o rimonabanto, a sibutramina e o orlistat. No Brasil, a primeira foi suspensa após cinco anos de uso, devido a constatação de causar lesões nas válvulas cardíacas, o segundo foi suspenso em menos de um ano, após as observações de causar problemas psiquiátricos e a cada dia aumenta o cerco à sibutramina.

Entre nós, a sibutramina vem sendo utilizada há 12 anos e é uma importante ferramenta para o tratamento do sobrepeso e obesidade. Ela atua aumentando a saciedade, o que a difere muito das anfetaminas, que reduzem a fome. Manter a fome é um fator importante quando o nosso objetivo é a perda de peso através de uma dieta balanceada.

Em contrapartida, o efeito da sibutramina permite ao paciente sentir saciedade com um volume alimentar bem menor. Sem fome os pacientes simplesmente deixam de comer e vivem de beliscos. Perdem muito peso, mas a manutenção é praticamente impossível.

Diversos estudos já demonstraram a eficácia e segurança quando usada conforme suas indicações, associada a mudanças de estilo de vida e sob acompanhamento médico. Ela não deve ser utilizada em pacientes com doenças cardiovasculares como foi feito no estudo SCOUT. Assim, o estudo revelou o óbvio, simplesmente o que a bula do medicamento já diz: que ela não deve ser usada nesses pacientes. Apesar de todas as alegações das sociedades de classe, a sibutramina está na berlinda também no Brasil.

No dia 23 de novembro, o Laboratório Abbott, responsável pela fabricação e comercialização da sibutramina no Brasil, resolveu retirar do mercado a sibutramina de marca, o Reductil. Ainda não temos uma posição dos outros laboratórios que fabricam os genéricos e similares da sibutramina. Mas a dúvida fica no ar, ou a quase certeza.

Para uma droga nova ser aprovada para o tratamento da obesidade, ela deve se mostrar eficaz em relação ao placebo (cápsulas sem medicamento ativo), ou seja, levar a uma perda de peso maior que 5% do peso corporal e propiciar manutenção do peso alcançado por no mínimo um ano; deve ser segura em relação aos efeitos colaterais e deve levar à redução dos vários fatores de risco relacionados à obesidade.

Esses são parâmetros rigorosos e avaliados em III fases antes da droga poder ser comercializada, o que pode levar mais de 10 anos de pesquisa.

Após a aprovação pelos órgãos de vigilância e em vigência do uso da droga pela população, começa uma IV fase de avaliação, chamada de farmacovigilância, quando os órgãos reguladores, como o FDA nos Esta-dos Unidos, a Anvisa no Brasil e a EMEA na Europa podem exigir mais estudos após a entrada do medicamento em cir-culação, no sentido de aferir as vantagens entre os riscos inerentes a todos os medicamentos e os benefícios dos mesmos para a população.

Além disso, existe um programa onde os médicos podem comunicar os efeitos secundários que por ventura ocorram em seus pacientes durante o uso de cada medicamento. Estes dados são extensamente analisados e, caso surjam situações em que o risco suplante o benefício, o medicamento é retirado do mercado.

 

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