O estresse da perda de tempo no trânsito

O estresse da perda de tempo no trânsito

Você já se sentiu sufocado e estressado ao passar o dia inteiro preso no trânsito? Saiba o porquê de isso ser cada vez mais comum.

Um dia comum nas nossas metrópoles chega a ser uma calamidade devido ao tempo perdido no trânsito.

No vai e vem do dia-a-dia muito tempo e dinheiro são perdidos por conta das várias horas que ficamos parados em congestionamentos. São horas de trabalho ou lazer que são desperdiçadas inutilmente. É o gasto com os combustíveis e com as peças de veículos que aumentam devido ao anda e para. É o estresse, a ansiedade e por fim o desespero.

Atualmente existe um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional que trata de três grandes áreas do trânsito. O primeiro grande eixo tratado nesse PL é priorizar o transporte público em detrimento ao particular e também incentivar o transporte não-motorizado em oposição do motorizado. O segundo eixo vincula o planejamento urbano ao sistema de transporte, de forma que as cidades passam a crescer com o sistema de transporte ordenado. E no ultimo eixo o projeto tem como ideia central o uso racional do automóvel.

Segundo estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) cerca de 20% dos usuários das vias públicas das grandes cidades são responsáveis pela ocupação de 80% das mesmas. Esse é um problema é causado por diversos fatores, mas os principais são os seguintes: historicamente o país priorizou o transporte particular dando incentivos às montadoras e aos consumidores para adquirirem automóveis. Por outro lado, a precarização das condições de uso da maioria dos meios de transporte público como trens e ônibus fez com que o público se afastasse dessa modalidade de transporte.

Ainda segundo esse mesmo estudo do IPEA a cada ano os carros particulares, táxis e motocicletas obtêm subsídios em torno de R$ 20,0 bilhões – vindos dos governos federais, estaduais e municipais. Isso correspondente a 86,0% de todo o subsídio que é concedido ao sistema de transporte pelas três esferas de governo.

Se tomarmos como exemplo o transporte público, podemos verificar que os subsídios anuais são de apenas 3 Bilhões de reais, o que corresponde a menos de 15% daquele que é concedido às montadoras.

Precisamos de cidades mais saudáveis, que priorizem meios de deslocamento como as bicicletas ou como as caminhadas.

Apesar da bicicleta ser o meio de transporte mais viável aos grandes centros urbanos, nem sempre acaba sendo o melhor e mais eficiente, pois ainda são baixos os investimentos em ciclovias e sinalizações propícias. Além disso a falta de uma política de educação de trânsito somada com a falta de segurança acabam sendo um perigo e não uma solução.

 

Dessa maneira a solução mais rápida a ser tomada é investir em transporte público de alta qualidade, disponibilizando várias modalidades de veículos e opções de trajeto a fim de diminuir o volume de veículos nas vias de acesso aos centros. Caso bem estruturados esses investimentos poderiam colocar fim aos congestionamentos em horários de grande fluxo de veículos.

Modalidades de transporte como trens, metrôs, ônibus, barcas deveriam ser muito bem planejadas e com horários milimetricamente calculados. Porém o que vemos atualmente em diversas cidades brasileiras é a falta de investimentos em infraestrutura urbana, e quando eles são feitos quase sempre se baseiam em dados passados e nunca em projeções futuras.

Mas, se serve de consolo, nós brasileiros não somos os únicos a termos problemas com o trânsito. Moscou, por exemplo, é considerada a cidade com o pior trânsito do mundo, sendo os engarrafamentos chegam a 2.000 km no horário de rush.

Do outro lado da moeda algumas cidades do mundo como Oslo, Londres e Milão cobram um valor alto de pedágio dos motoristas que insistem ir para o centro das cidades. Uma solução bastante impopular entre aqueles que necessitam trafegar com seus veículos pelos centros urbanos, mas que melhora substancialmente o deslocamento de pessoas e de cargas pela cidade.

Outro exemplo é a cidade de Munique na Alemanha, onde a solução encontrada foi à construção de edifícios sem garagens desestimulando as pessoas a terem carro e pressionando os governantes a investirem em transporte público de qualidade.

Já nos Estados Unidos vem sendo implantada durante a última década uma política de desmotorização da população, e para reforçar isso localidades doma Manhattan estão banindo a criação de vagas de estacionamento.

Olhando para uma realidade mais próxima, podemos nos basear também nas experiências da cidade de Bogotá na Colômbia, que se tornou exemplar na questão do desenvolvimento do transporte público de qualidade. Lá existem corredores especiais de ônibus articulados, estações modernas, tarifas pré-pagas, e monitoramento via satélite dos deslocamentos; tudo isso para trazer maior agilidade ao embarque de passageiros.

Quanto ao Brasil, podemos observar que atitudes esporádicas vêm sendo tomadas, mas essas ainda não são suficientes para resolverem os enormes gargalos de nossas metrópoles.

É por isso que resta a cada um de nós o dever de optar por modalidades mais limpas de transporte e fazer o máximo de esforço para nos auto-conscientizarmos sobre os impactos que nossos veículos causam na cidade.

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