A prevalência do alcoolismo nas festas de fim de ano

A prevalência do alcoolismo nas festas de fim de ano

Como um momento que deveria ser de descontração e alegria se transforma em uma válvula de escape para quem tem problemas com o alcoolismo

Muita gente encontra no álcool (e até mesmo em outras drogas ilícitas) uma espécie de válvula para escapar do estresse e sentimentos ruins que podem surgir no fim do ano. Além disso nessa época do ano o consumo de álcool, geralmente estimulado em grande quantidade, contribuindo para o aumento do descontrole, comprometendo a saúde física, mental e social.

Há uma tendência na vida dos alcoólatras, que se radicaliza nesse momento de datas festivas, de haver falta dessa substância no cérebro. Aí, a pessoa toma alguma substância, como o álcool, que é um estimulante em pequenas doses, mas que, se tomado em excesso, acaba produzindo o efeito inverso. Em vez de um estímulo ao sistema nervoso central, ela passa a ter uma inibição desse sistema, fazendo com que aumente ainda mais a depressão, decorrente muitas vezes da lembrança de pessoas queridas que não estão mais presentes”, disse o psiquiatra.

Segundo a maioria dos psicólogos e psiquiatras consultados, há uma inversão de valores nas festas de fim de ano, com crescimento do aspecto mais materialista da data, e não dos valores espirituais.

Assim, as pessoas acabam abusando dessas substâncias, que adicionam no organismo, como adicionam comidas. A partir daí, há um abuso que pode ser o fator determinante de doenças como alcoolismo e dependência química.

É bom reparar ainda que nessa época do ano, costuma aumentar o número de internações tanto em hospitais de pronto-socorro como em clínicas psiquiátricas.

A situação da saúde pública ainda não conseguiu resolver a questão de leitos hospitalares e, em relação à saúde mental, vigora a política da redução do dano. Ou seja, a pessoa pode usar álcool desde que não cometa atos que piorem a sua vida. Segundo estudos, o Brasil está experimentando esse tipo de política, mas, aparentemente, não tem tido o sucesso esperado. Isso é constatado pela existência de cracolândias, áreas onde se reúnem centenas de pessoas drogadas, principalmente nas grandes metrópoles.

É preciso lembrar também que quase todas as pessoas que usam álcool começaram usando tabaco e daí passaram para a maconha. Quase todos os que usam maconha começaram com tabaco ou álcool. Essas três drogas são fundamentais para levar ao uso da cocaína.

De acordo com o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), feito pelo Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas da Universidade Federal de São Paulo, a proporção de bebedores frequentes (que bebem uma vez por semana ou mais) subiu 20% no país entre 2006 e 2012, passando de 45% para 54%. A expansão entre as mulheres (34,5%) foi maior do que entre os homens (14,2%), no período pesquisado.

Em termos de concentração do consumo de álcool, o levantamento mostra que 20% dos adultos brasileiros que mais bebem ingerem 56% de todo o álcool consumido. A pesquisa revela ainda que quase dois de cada dez bebedores apresentaram critérios para abuso ou dependência de álcool e que 32% dos adultos que bebem relataram não terem sido capazes de parar depois que começaram a beber.

O levantamento constatou também a relação entre abuso de álcool e depressão. Dos 5% de brasileiros que tentaram tirar a própria vida entre 2006 e 2012, em mais de dois de cada dez casos, o que equivale a 24%, a tentativa estava relacionada ao consumo de bebidas alcoólicas.

Para o presidente da Abrad, a tendência é aumentar o uso de álcool no Brasil. O que nós temos visto é um aumento do custo na saúde pública da liberação do álcool para menores de 18 anos. E isso leva a um abuso cada vez mais cedo nos jovens, gerando alterações físicas e mentais muito importantes. A falta de fiscalização na venda de bebidas para crianças e adolescentes, principalmente em postos de gasolina, onde os jovens compram suco ou refrigerante e tomam misturado a álcool. Todos veem isso acontecer e não há um efetivo combate a essa prática.

Os psiquiatras ressaltam que não há distinção de classe social ou de nível socioeconômico entre os bebedores de álcool no país.  Os mais abastados costumam misturar vodca com bebidas energéticas ou cafeínicos, enquanto os menos abastados procuram tomar cerveja com cachaça ou fazer essas misturas chamadas batidas, que misturam cachaça com refrescos ou refrigerantes. E tudo isso leva a população brasileira à um vício cada vez mais precoce.

 

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