Você sabe o que é a Hanseníase

Você sabe o que é a Hanseníase

Saiba mais sobre essa doença que afeta mais de 25 mil pessoas só no Brasil

A Hanseníase é uma doença crônica, transmissível,  que possui como agente etiológico o Mycobacterium leprae. Atinge principalmente a pele e nervos periféricos, podendo apresentar surtos reacionais intercorrentes, o que lhe confere alto poder de causar incapacidades e deformidades físicas, principais responsáveis pelo estigma e preconceito que permeiam a doença.

A transmissão se dá pelas vias áreas superiores (tosse ou espirro), de uma pessoa doente sem tratamento, para outra, após um período de contato prolongado e contínuo. Portanto, é prioridade o exame de todas as pessoas que convivem ou conviveram com o caso de hanseníase nos últimos anos, como forma de diagnosticar precocemente, prevenir as incapacidades físicas e interromper a cadeia de transmissão da doença.

A hanseníase tem cura e seu tratamento é gratuitamente ofertado pelo SUS, disponível nas unidades públicas de saúde de todo o país. É feito por via oral, com a Poliquimioterapia (PQT), uma associação de três antibióticos. Os medicamentos são seguros e eficazes. O paciente deve tomar a primeira dose mensal supervisionada pelo profissional de saúde e as demais, auto administradas. Ainda no início do tratamento, a doença deixa de ser transmitida.

Além da realização do exame dermatoneurológico e avaliação neurológica simplificada, o paciente deve ser também orientado quanto às práticas simples do autocuidado com olhos, mãos e pés, que podem ser realizadas regularmente no seu domicílio e/ou em outros ambientes. O autocuidado melhora a qualidade de vida e autoestima da pessoa com hanseníase.

As estatísticas da Hanseníase no Brasil e no mundo

A Hanseníase exibe distribuição heterogênea no país, com registro de casos novos em todas as Unidades Federadas, com maior concentração de casos nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O Boletim Epidemiológico Mundial, publicado em setembro de 2017 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), informa que 143 países e territórios reportaram casos da hanseníase em 2016. Do total de 214.783 casos novos informados, o Brasil ocupou a segunda posição com 25.218 (11,7%) e a Índia a primeira, com 135.485 (63%) casos novos da doença.

Em 2016, 2.885 municípios diagnosticaram casos novos de hanseníase no Brasil. Desses, 591 municípios diagnosticaram casos em menores de 15 anos, sinalizando focos de infecção ativos e transmissão recente. O país registrou 25.218 casos novos da doença, com taxa de detecção de 12,23 por 100.00 habitantes (alta edemicidade). Do total de casos novos registrados, 1.696 (6,72%) foram diagnosticados em menores de 15 anos e 7.257 (28,8%) iniciaram tratamento com alguma incapacidade física.

Apesar disso, como resultado das ações voltadas para o controle da transmissão da doença, entre 2007 e 2016, a taxa de detecção reduziu 42,28%, o que corresponde a redução de 40.126 para 25.218 casos novos nesse período.

Quanto à distribuição por sexo e faixa etária, do total de casos novos registrados no Brasil em 2016, 13.686 (54,2%) foram na população masculina. Desses, 6.233 (45,5%) casos foram registrados na faixa etária de 20 a 49 anos de idade e, 3.422 (25%), na faixa etária de 60 anos ou mais.

Em abril de 2016 a Organização Mundial da Saúde (OMS), lançou a Estratégia Global para Enfrentamento da Hanseníase 2016-2020, com o objetivo de reduzir ainda mais a carga da doença no âmbito global e local, além de aperfeiçoar ações conjuntas e aprimorar esforços para abordar os desafios enfrentados tanto na área da assistência quanto nos aspectos humanos e sociais que acometem o controle da hanseníase.

 

 

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